Estado
e sociedade leiam e entendam o porquê, desta afirmação.
Às 18 horas encerro mais um plantão em
livro ata e após a rendição do meu posto de trabalho, me encaminho ao setor de
portaria, onde lá registro minha saída no relógio de ponto biométrico e fico aguardando
a liberação do “turno”. Dentro de poucos, mais incansáveis minutos, todos os
outros postos de serviço são também rendidos, sendo assim o chefe do plantão
libera a todos os funcionários, que rapidamente saem rumo ao estacionamento com
um molho de chaves em mãos, na procura de seus veículos ou diretamente a sub portaria,
de onde em caminhada seguem na busca do ponto de ônibus mais próximo. O grupo difere
nas formas e nos trajetos, mas o destino de todos os funcionários é um só, as suas
residências, onde junto à suas famílias, irão usufruir de suas 36 horas de
descanso.
Qual profissional no registro de sua
saída, não almeja curtir sua folga e deixar para traz todo e qualquer assunto
relacionado ao seu trabalho?
Nenhum,
prova disso é esta descrição acima, que ao lermos visualizamos a mesma de uma
forma tão tranquila e gostosa de se viver, mas no caso de todos nós 35 mil
Agentes Penitenciários deste Estado, quando vivenciamos à esta cena, as coisas
não estão tão boas assim, pois além de já termos corrido nossos riscos de vida
durante as 12 horas no exercício da nossa profissão, ao sairmos das nossas
unidades prisionais, levamos junto a nós maiores proporções de riscos e ainda
incluímos os membros de nossas famílias por 36 horas dentro desta alta taxa de
periculosidade.
Como qualquer outro cidadão, já no trajeto
de retorno à minha casa, seja de carro, ônibus ou qualquer outro meio de
transporte, estou passível de sofrer a um assalto, mas que pode vir a se tornar
um latrocínio, apenas pelo fato de estar trajando meu uniforme de trabalho ou
por ser reconhecido pelo assaltante (que já foi recluso no presídio em que
trabalho), pois para qualquer criminoso nenhum Agente Penitenciário tem o
direito de viver.
Graças a Deus hoje consegui cumprir meu
trajeto sem que nada viesse a acontecer, mas a noite quando resolvo sair de
casa com a esposa e meu filho, sou alvejado a tiros por membros de uma facção,
que tiveram a ordem de assassinar qualquer funcionário da minha unidade de trabalho,
em represália, à remoção e encaminhamento a uma unidade prisional de segurança
máxima, um dos principais chefes da facção, que ali permanecia acobertado. Nada
havia percebido, mas uma mulher que fingiu estar passando à frente da unidade
às 18 horas, seguiu ao meu carro, anotou meu endereço e enviou-lhe via mensagem,
para os membros da facção que ficaram à frente da minha casa, esperando a minha
saída para me alvejar com tiros, mas bem na hora da minha saída, notei ter
esquecido as chaves e voltei para traz, sendo todos os tiros acertados na
parede da garagem, não conquistaram comigo suas metas, mas infelizmente no dia
seguinte tive que ir ao velório de um companheiro de trabalho, que não teve a mesma
sorte de esquecer as chaves, sendo assim cumpriram a meta “matem qualquer um
daquela unidade”, mas este velório não gerou apreensões de culpados, pois em
quase todos os casos, os autores nunca são nem ao menos descobertos.
Após uma semana, estes assuntos não
estavam mais sendo publicados em mídia, se encerrou os 15 dias de tranca no
presídio e voltou tudo a ser como era antes e já no primeiro dia, adentro sozinho
ao raio com capacidade para 96 detentos, mas que suportava 230, para efetuar a
soltura de detentos para o banho de sol e ao abrir a última cela alguns presos
começaram a me espancar de forma brutal dentro do pavilhão, apenas
pelo fato de não estarem contentes ali, sendo assim após me agredirem irão
estar conquistando suas transferências para outra unidade, após cumprirem 30
dias de castigo na Penitenciária I de Pres. Venceslau, sorte minha foi que
quando cai ao chão, um agente de escolta passava pela muralha e procedeu tiros
de advertência, que me facilitou vir estar correndo para fora do raio. Machucado
saio a caminho de um hospital, consigo 90 dias de licença médica tendo em meu
laudo citado que tal episódio provocou em mim “um estado de angústia invasiva
especialmente ameaçadora e catastrófica; revivescência do trauma sob a forma de
memórias intrusas ou sonhos; surtos dramáticos e agudos de medo, pânico ou
agressão”, tais surtos quase me levaram ao suicídio, que só não ocorreu, pois
quando tudo parecia perdido busquei a Deus.
Terminou a licença e ao retornar à unidade
encontro um novo Diretor de Disciplina na unidade, que tentava fazer um
diferencial, buscando retomar a autoridade de disciplina da unidade prisional,
seguiu nesta luta mesmo após ter recebido ameaças, mas seis meses depois foi
assassinado com 27 tiros, como aviso de que “Quem manda aqui somos nós” e provaram
tal poder quando após um “Salve Geral” deram início a uma “Mega Rebelião” que
atingiu quase todos presídios do Estado, tomou também as ruas e tirou a vida de
Agentes Penitenciários, Policiais Civis e Militares, e cidadãos civis que com
esta realidade não tinham nada a ver.
Está é uma simples história escrita por
um autor de livros, mas que também por exercer a esta profissão, sabe que partes
deste texto fictício, já foi a realidade da vida de muitos outros Agentes
Penitenciários deste Estado, uma prova disso é muito fácil de se adquirir,
bastar entrar no site “Google” digitar as palavras: agente, penitenciário,
agredido e assassinado, para ver quantas provas, um simples site pode vir a
oferecer, datas e locais diferentes, mas em todos os casos, o membro de uma
família foi agredido ou perdeu sua vida, apenas por exercer a tal profissão.
Diante disso os que permanecem vivos e
neste exercício se perguntam: Será que algum dia irei passar por isso? Será que
ele havia recebido algum tipo de ameaça? Recebi uma ameaça, devo continuar
nesta profissão? Vale a pena entrar em confronto com a criminalidade? Como
resposta a tantas interrogações, os 35 mil agentes deixam de colocar suas caras
a tapa, entrando em confronto com a criminalidade e passam a administrar suas
funções, tal como a Secretaria da Administração Penitenciária, na base de
negociações, para se evitar futuros confrontos.
A ineficiência da Administração Pública
para evitar o ataque de detentos contra agentes penitenciários dentro e fora dos
presídios já é um motivo para responsabiliza-la, por todos os danos físicos e
morais sofridos pelos funcionários do sistema penal, mas o Estado literalmente se
concretiza como merecedor de uma responsabilidade civil sobre os fatos, não
apenas pela falha na guarda dos presos, mas também porque na maioria das vezes
as falhas funcionais, são ocasionadas por falta de condições de trabalho e aos inegáveis
traumas psicológicos suportado por boa parte dos agentes e mesmo assim somos
obrigados a ver em processos jurídicos o Estado se argumentar que “houve culpa
exclusiva da vítima, por se tratar de um agente penitenciário também
responsável pela manutenção da ordem no local”, assim não admitem
que a grave situação de risco à qual o servidor é submetido no desempenho de
suas funções, estão muito além do exigível para o exercício do cargo, vez que esta
conduta negligente e ineficiente, vem acarretando na perda de muitas vidas.
Se já não bastasse para os criminosos nenhum
Agente Penitenciário ter o direito de viver, ter também um Estado que não
oferece garantias para segurança dos seus agentes públicos, dia após dia irá acarretar
em pesquisas no Google, com listas de resultados, maiores da qual efetuada hoje,
veio a encontrar 149 mil páginas sobre o assunto. BASTA!

Como podemos ajudar com essa política de direitos humanos ?,estamos todos a mercê desses delinquentes que sao protegidos por um sistema de governo corrupto ,capitalista.que só so pensa em benefícios financeiros e no poder sem se importar com famílias (que não sejam a deles )ainda por cima desarmando os cidadãos que só querem proteger os seus ,sint muito amigo só vejo solução para o seu e para os nossos problemas com uma intervenção militar,veja bem intervenção, e não ditadura ,onde provavelmente dentro de uns 10 anos faria uma limpa nesta sociedade de meliantes inescrupulosos, me perdoe as falhas não sou um escritor ,apenas um cidadão comum tão apavorado, quanto a sua classe abraço e Que Deus te abençoe e proteja juntamente com seus colegas de todo o Brasil
ResponderExcluirConcordo, mas para que ocorra uma intervenção, a sociedade deve mostrar as forças que está sendo agredida pelo Estado... Faço minha parte, faça VC tbm a sua. Abraços.
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