sábado, 19 de dezembro de 2015

O principal agente do sistema prisional, na verdade é uma vítima do seu próprio sistema.

O profissional Agente de Segurança Penitenciária é o principal agente no cumprimento da pena de todos aqueles julgados pela sociedade como impróprios ao convívio social. É o profissional que mesmo sem ter as condições necessárias para prestar seu trabalho, todos os dias adentra sozinho nos pavilhões carcerários deste país, apenas com um molho de chaves em mãos e executa a tranca do dobro de detentos ali cabíveis. Detentos estes revoltados na cobrança de seus diretos, cobrados deste profissional, que sempre responde “vai chegar”, mesmo sabendo ele que não vai, pois esta cansado de saber que o Estado nunca cumpre seus deveres. E ao conseguir trancar todos sentenciados em suas celas, se retira do Raio, faz o sinal da cruz e agradece a Deus por mais um dia estar vivo.
Todo espectador da mídia nacional, sempre enxerga como real tudo aquilo publicado nos filmes, reportagens e documentários, chegam até a se impressionar com as tantas informações publicadas, mas caro espectador deixe de se impressionar com estas simples edições de 15 minutos que não mostram a verdadeira realidade deste sistema, muito menos a realidade deste profissional, que as vezes chega até ser mostrado como desnecessário, ou como o responsável por todas irregularidades do sistema. Todos nós profissionais da área quando assistimos tais reportagens, vemos uma comédia, pois geralmente todas mostram presídios maquiados, que administram a prisão de meia dúzia de ladrões de galinha, assim é muito fácil mostrar modelos perfeitos. Agora aquele que a publica tais modelos perfeitos deveria como nós, que sem o apoio e condições de trabalho, administrar a prisão de mais de 2000 mil chefes de facções, em presídios planejados para cerca de 800 detentos, para saberem mostrar a realidade daqueles que dia sim, outro não, trancam aquilo que a sociedade julgou como impróprios ao convívio social e pararem de sujar a imagem deste profissional e passar a mostrar a real importância desta categoria, uma das mais antigas da humanidade, que no passado levava o nome de Carcereiro, e também a 2ª mais perigosa do mundo, conforme elencou a Organização Internacional do Trabalho – OIT. Uma profissão que ninguém valoriza, mas que se deixasse de existir, transformaria o mundo num verdadeiro caos. 
Devido a estas publicações irreais, a sociedade passou a enxergar todos os sentenciados como vítimas do Sistema Penal, por não usufruírem de tudo o que a lei os garantem, mas todo aquele julgado à punição, não vem sofrendo o quanto a mídia nos faz imaginar, pois a reincidência é exorbitante, sinal de que este sistema não vem cumprindo sua função de punir e muito menos a de reeducar. O Direito Penal possui muitas regras, muitos artigos, muitos parágrafos, mas com muito, muito pouca Justiça, o excesso de palavras confunde, contradiz-se e, ao fim, abre brechas à impunidade. Diante disto, punidos estamos todos nós que para não se tornar vítimas da criminalidade, vivemos trancados diariamente apavorados atrás das grades, de nossas casas. Teremos nós algum dia o direito de sair livres pelas ruas? Ou, pelo menos, quando haverá a nossa progressão de regime? Se você cidadão, após ler este texto se viu agora como uma vítima, imagine agora aquele profissional que no exercício de sua profissão tranca todos os dias a criminalidade em celas superlotadas e que dentro dos presídios ou nas ruas, chegam a perder suas vidas apenas por terem seu registro profissional de Agente de Segurança Penitenciária.

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